Ponha os fones: O Buda te leva para ouvir ANTI de Rihanna sob outra perspectiva

Até 2012 havia um lema entre os fãs de Rihanna: Não importa o quão ruim o ano fosse, sempre haveria a felicidade de ouvir um novo álbum dessa maravilhosa. Foi uma sequencia pesadíssima de álbuns de sucesso que, de repente, seguiu-se com um hiato de mais de três anos de “sumiço”. “Sumiço” entre aspas porque você, com certeza, não deixou de ouvir o nome “Rihanna” momento algum durante esse tempo, mesmo sem um álbum lançado. Até ontem.

ANTI foi liberado na manhã dessa quinta-feira e chegou polemiquíssimo. A divulgação que começou com Bitch Better Have My Money surpreendeu mostrando um resultado final com, digamos, outro ritmo. O Buda ouviu com paciência e veio contar exatamente o que te espera.

Rihanna aparece conceitual. Trabalhou em conjunto com Roy Nachum, que se dedicou recentemente a um experimento da não-visão. Passou, literalmente, dias com os olhos vendados, buscando compreender o universo na não-visão. Isso é perceptível no álbum todo. As letras? todas em braile. A capa? uma coroa que cobre os olhos. O album? Rihanna para além da imagem.

Definitivamente, esse não é um trabalho de hits. A não ser que saibamos aproveitar as parcerias em Consideration e Work, as pistas ficarão sem novidades por enquanto. Nada que não havia sido avisado antes, quando trabalhou com Paul McCartney e Kanye West em Four Five Seconds, a própria declarou que passaria a trabalhar mais com músicas mais universais. Tá bom, mulher, queria mostrar do que é capaz? Mostrou.

O álbum não é sobre movimento, sobre a megaprodução de ser uma Diva. É sobre Rihanna e sua evolução musical. A Word music transparece nas influências country, reggae e psicodélica, que se revesam. Até mesmo uma versão de Tame Impala fez parte do repertório e, é de chorar, Rihanna parece ter nascido para cantar Same Ol’ Mistakes. Cada música é muito bem elaborada individualmente e mostra diferentes perspectivas da voz, do tom e dos sentidos despertados pela rainha. Em Higher, por exemplo, Rihanna tirou dois minutinhos para nos mostrar que sua voz vai às alturas. Mesmo. Com perfeição. Só isso, esse é o recado da música.

Coloque os fones e ouça o álbum na íntegra:

A peixinha nunca negou que gosta mesmo é de música para se ouvir nos extremos. Para quem estava acostumado aos hits de noites viradas regadas à vodca, pode surpreender um trabalho feito para whisky e lágrimas nos olhos. Mas, para quem está no clima, claro, sempre lembrando que ninguém é obrigado a nada, recomendamos vendas os olhos e se permitir apreciar a complexidade e a qualidade sonora inegável de ANTI.