Dia da Consciência Negra: Do que é feita a Black Music?

Hoje, dia 21 de Novembro, marca o Dia Nacional da Consciência Negra. A data é, ao mesmo tempo, celebração, luta, comemoração e resistência. Pois enquanto a riqueza cultural advinda da Mãe África é inegavelmente uma das maiores influências na cultura moderna, o povo negro ainda carrega consigo as dores da colonização, que abafou histórias, memórias, crenças e desumanizou  seus descententes geração após geração.

Hoje, o que se vê mundialmente é um crescimento explosivo da cultura negra. No Brasil, os ritmos de rua já trazem em si diversas vertentes, separadas por temas, arranjos e pelos locais nos quais aparecem. A história se repete: Tudo o que surgiu nos guetos e a princípio foi marginalizado, com o tempo se torna midiático, popular e até tema de tese universitária. Foi assim com o samba, com o hip-hop, com o funk, com o rap. A qualidade passa a ser cada vez mais refinada (e reconhecida como tal), portanto a cultura só tem a agradecer. Mas é preciso pensar: Qual a raiz dessa história?

O que começou com RZO, Sabotage e Racionais, hoje dá lugar à uma nova safra especial, que desde 2010 têm expandido por aqui. Criolo, Emicida, Luana Hansen, Rael, Karol Conká, Tássia Reis, Black Alien e até mesmo o bom e velho Racionais aparecem com uma nova roupagem, que une o freestyle das ruas às estéticas da MPB, da música jamaicana, do Maracatu e das discotecas. Essa abertura têm levado os sons marginais a expandir horizontes, mas não importa a forma como se apresenta, a música ainda tem como principal responsabilidade levar o peso das ruas para a leveza do som.

O próprio Criolo no belíssimo clipe “Que Bloco É Esse”, homenageia o Bloco do Ilê Aye que, vale frisar, já vinha sendo adorado pelo Axé desde os anos 1990 - lembra de Daniela Mercury e sua Pérola Negra? Pois bem, a pérola é justamente o Ilê - o bloco é o mais antigo representante afro do carnaval bahiano e trabalha com o resgate da memória do povo negro, que foi escondida dos livros de história, além de trabalhar com projetos sociais voltados às comunidades periféricas do Brasil. Quando se fala em voltar às raízes a questão é justamente essa, não esquecer que o que faz é black music é black, o que faz a música de rua é a rua, o que faz a cultura negra é o negro.

Há muitos anos o compositor Paulinho Camafeu, regravado por Gilberto Gil, O Rappa, Ivete Sangalo e o, já citado, Criolo já deu o recado: “Branco se tu soubesse o valor que o preto tem, tu tomava banho de pixe pra ficar negão também. Eu não te ensino a minha malandragem, nem tampouco minha filosofia. Por que? Quem dá luz à cego é bengala branca em Santa Luzia”. Manter viva a cultura negra é lutar pela vida da população negra e valorizar suas produções em todo seu contexto, com a humildade necessária para se adentrar o universo do outro, respeitando ao máximo sua essência.

Para completar, o Blog do Buda preparou uma lista com 5 artistas negros da atualidade - além dos já citados no texto - que já passou da hora de você conhecer. Bora?

1 - Ellen Oléria

2 - Kendrick Lamar

3 - Anelis Assumpção

4 - OSHUN

5 - Chinese Man