CANADA e seus videoclipes surreais de outro mundo

Se você leva pau em geografia, Canadá é um dos três países da América do Norte, situado entre os Estados Unidos e a região do Alasca. Para os mais “descolados”, pode ser também o nome de uma produtora de vídeos sensacional com sede em Barcelona que expandem o conceito audiovisual desde 2008, seja com peças publicitárias para grandes marcas, seja com videoclipes que esbanjam ousadia e criatividade. O coletivo CANADA é formado por Luis Cerveró, Nicolás Méndez e Lope Serrano, um trio de artistas visuais que criaram uma estética muito singular e cativante, daquela que te enche os olhos e te faz pirar na semiótica.

Os videoclipes assinados pelo CANADA são sempre um convite à insanidade. Alguns tem uma narrativa, conta uma historinha, mas não demora muito pra incluírem algumas bizarrices mindblowing. Você não entende nada e fica “que porra é essa?”. O trio não cansa de surpreender e a cada lançamento a gente fica se perguntando “mas como esses caras conseguiram filmar isso?”. Sem querer entregar o ouro, mas numa análise clínica, podemos resumir o brilhante trabalho do trio em três recursos: plano-sequência, truques de montagem e efeitos visuais. Não há dúvidas que os caras são profissionais e dominam essas técnicas.

Há um pouco de Spike Jonze nessa elaboração com pé no surrealismo. Campanhas publicitárias à parte, os trabalhos do CANADA na música remete aos videoclipes de bandas dos anos 90 que popularizaram a música eletrônica no mundo, como o lúdico do Daft Punk e The Chemical Brother, além dos experimentalismos do Fatboy Slim. 

O clipe do produtor e cantor espanhol El Guincho (acima) é um belo exemplo do que eles fazem. Entretanto, mesmo oriundos da Espanha, CANADA já marcou território em toda e Europa, tendo produzido vídeos para as bandas The Vaccines (Inglaterra), Phoenix (França), Two Door Cinema Club (Irlanda) e o duo Justice (França). E também, aos poucos, os artistas seguem conquistando a América, foram até indicado ao VMA, prêmio da MTV, na categoria Melhor Direção com a já clássica “The Less I Know the Better”, do Tame Impala. Dá o play e deixa seu cérebro derreter.