O autor do pontilhismo sobrenatural na nova capa de Di Melo

Recifense de nascença e, no momento circulando pela terrinha, o artista Milton Leal Pessoa, mais conhecido como Ganjja, trabalha com papéis, telas, barro, gesso, paredes e peles. “Eu faço arte onde der, na superfície que estiver disposta a recebê-la”, defende. Um de seus trabalhos mais recentes foi a capa do álbum do cantor, também pernambucano, Di Melo, que lança agora, 40 anos após o primeiro trabalho, o segundo álbum de sua carreira.

O disco “Imorrível”, vem emergindo com o retorno do músico, depois de morrer milhões de vezes nas más-línguas, que atestavam uma tragédia sobre ele, vem mostrar que está vivo e muito bem preparado para continuar swingando o público Brasil afora. O documentário Di Melo - O Imorrível, lançado em 2011, foi gatilho para o país lembrar desse fantástico talento da música nacional e a partir daí o trabalho voltou a andar. Quando os artistas Di Melo e Ganjja se encontraram por acaso em Recife, a conexão foi inevitável e pouco tempo depois o trabalho com “Imorrível” surgia.

“Ele me fez esse convite algum tempo depois de nos conhecermos, confesso que tremi na base, mas claro que aceitei”, conta o artista visual. “Acabou que fiz de primeira esse desenho, levei só uma semana e fiquei satisfeito com o resultado. Fui agraciado! Quando mandei para ele, ele pirou na hora. Foi um trabalho de entrega mesmo, muita conexão, sangue e suor”, confessa.

Ganjja tem o pontilhismo como foco da sua técnica, mas não limita a arte. As cores e traços concretos também ganham espaço, compondo um cenário misto, místico e transcendental, que combina com a inspiração do artista. “Eu sempre uso o que a arte me exige, o que sinto que ela precisa. Busco respostas nos meus sonhos, mirações, nos mergulhos que dou no meu subconsciente que é onde recebo as imagens. A arte me diz o que fazer, sou apenas um servo”, explica.

A sinceridade dessa conexão transparece nas obras do artista, que defende esse caminho cósmico como uma forma honesta e íntima de se produzir. A arte aqui pode ser encarada como um contato com o todo dentro de cada um, uma vasão de mente e espírito em forma de imagens. Eternizado na capa do Imorrível, Ganjja pretende cada vez mais adentrar seu próprio universo para trazer à tona novas mensagens, “cada imersão me traz um lance diferente, é sempre um novo toque, um novo recado, um novo aprendizado e isso me surpreende demais”, conta.

Quanto a Di Melo, o músico promete dar à tal capa todo o significado que ela merece. Já que, como defende em seu próprio site “Vou além. Meu som não deixa nada a desejar para o que houve, há, e, haverá no mercado musical. Digo, repito, atesto, e, assino embaixo, sem medo de errar e sem falsa modéstia. É muito swing, balanço, molho, charme e malemolência, pois nem Santo Antonio com gancho consegue segurar, nem o boato ou disse-me-disse de que eu havia morrido de desastre de moto. Se esqueceram de uma coisa: que eu sou imorrível!".