Tatá Werneck e o humor farofa que conquistou o Brasil

Raramente o Buda faz alguma postagem falando da TV brasileira, porque a programação das emissoras abertas e fechadas quase sempre é bem descartável, vamos ser francos. Mas também vamos reconhecer: há alguns programas que valem a pena a sentada no sofá por serem ousados e injetarem algum tipo de originalidade seja na abordagem jornalística, seja nos humorísticos, até uma ou outra telenovela. Um exemplo bem bacana é o “Tá no Ar”, exibido pela quadradíssima Rede Globo. Tem momentos inspirados, é engraçado, é um frescor, porém não conquistou o público órfão e carente de enlatados enfadonhos do naipe Casseta e Planeta e Zorra Total. Mas não surpreende, porque a pegada do humor é outra, é para telespectadores mais seletivos, tem umas referências ali que nem todo mundo saca a ironia.

Esse tipo de programa como o “Tá no Ar” se daria muito melhor nos canais fechados da TV a cabo. Inclusive, o seu realizador, Marcelo Adnet, teve a sua primeira aparição com uma esquete minúscula nos tempos áureos da MTV com o “15 Minutos”, onde fazia paródias, falava abobrinha, reflexões cotidianas e encantava pelo improviso e pensamento rápido. Eram 15 bons minutos da televisão. Dali para ganhar espaço no horário nobre de emissoras maiores foi um pulo.

Nessa mesma fase, uma onda de comediantes oriundos dos palcos de stand-up começaram a invadir a TV. Dos rapazes do CQC, passando pelo canal Porta dos Fundos até à classe da MTV, era de se notar que poucas mulheres tinham destaque neste meio. As que mais brilharam foram Dani Calabresa e Tatá Werneck, que hoje, talvez assume o título da pessoa mais engraçada deste país.

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 Pós-MTV, Tatá Werneck já passou por telenovela globais interpretando variações da mesma personagem, fez filmes de gosto duvidoso, participações pequenas em outros programas até encontrar o seu espaço. Hoje, ela comanda pela Multishow o Lady Night, programa de entrevista no formato talk-show que alguns caras com menos talento, tipo Danilo Gentili e Rafinha Bastos, tentaram fazer, mas não apresentaram absolutamente nada de novo.

Tatá sabe tirar sarro de si mesma, se coloca na piada de forma espontânea e consegue extrair o riso até quando é sem graça, quando se perde no seu humor farofa e nonsense. Talvez a gente passa a saber até menos do entrevistado após a entrevista, porque a função não é “conhecer” tal pessoa (quem se importa?); tudo no Lady Night não passa de uma grande galhofa, e por não se assumir sério e saber brincar consigo, merece ser reconhecido como uma das melhores surpresas da TV em 2017. Muito disso se deve ao texto afiado, mas o principal combustível é mesmo Tatá.

 A primeira temporada de Lady Night se encerrou com boa aceitação e  a segunda estreia somente em outubro, mas vire e mexe o pessoal compartilha no Facebook alguns quadros isolados do programa. Vale a pena assistir, sobretudo o quadro “Especialista”, em que algum profissional anônimo é bombardeado com várias perguntas sem noção. Um dos triunfos de Tatá Werneck é não fazer do entrevistado escada para o humor, mas convidá-lo a dar risada. No final, todo mundo se diverte.