Tempos difíceis para o racismo

O novo clipe do Emicida passa esse recado, seguindo o ritmo do que Baltimore acabou de lembrar o mundo algum tempo atrás: a resistência negra vive. O racismo no Brasil, apesar de viver no dia adia de forma velada, de vez em quando dá as caras e se deixa escapar pelas palavras, quando busca agredir pelo discurso.

Aconteceu dessa vez com a atual garota do tempo do Jornal Nacional, Maria Julia Coutinho (Maju). A jornalista foi alvo de vários ataques gratuitos no mundo das redes sociais. E tudo isso por quê? Por fazer parte dos 53% da população de pele escura do país (dados do IBGE – Censo 2013). Por ser negra.

No dia 3 de julho, na semana passada, foi o Dia Nacional do Combate à Discriminação Racial. E, enquanto grande parte da população ainda acha que há mais o que se comemorar do que se combater, a discriminação corre tanto por aí que às vezes é impossível não vê-la. Que o digam as pessoas que não permitem que uma negra “entre em sua casa” para dar uma informação útil sobre o clima, e ainda vomitam comentários criminosos à mulher no Facebook.

Maju não é exceção. Como bem lembram os outros profissionais negros da história da Rede Globo, Glória Maria, Heraldo Pereira, Zuleide Silva, Dulcinéia Novaes, entre outros, a diferença é que agora, com a internet, os ataques se tornaram visíveis. Em entrevista à Revista Época, Glória Maria conta que sofreu racismo nos quase 10 anos em que apresentou o Fantástico, de 1998 a 2007. “Recebia os comentários por cartas e, depois, por e-mails. Não era uma declaração pública e vinha diretamente a mim. Hoje atinge o Brasil. A diferença é essa. Isso que Maju está vivendo é a normalidade do brasileiro. Mas nunca fraquejei, nunca desisti", conta a jornalista.

Mas bem, voltando ao chamado dado por Emicida: Se o ataque é muito, o rebote é maior ainda. Enquanto a própria Maju declarou receber muito mais mensagens de carinho e apoio do que de ódio, na arte, o movimento mostra a sua cara.

O Blog do Buda enumerou cinco videoclipes – todos lançados neste ano – que discutem, alguns nas entrelinhas, os efeitos desse grave problema que ainda assola a nossa sociedade. E não sabemos ainda por quanto tempo.

1. Emicida - Boa Esperança

2. Run The Jewels feat. Zack de la Rocha - "Close Your Eyes (And Count To F**k)"

3. Kendrick Lamar - Alright

4. Rihanna - Bitch Better Have My Money

5. J. Cole - G.O.M.D.