MarinJah é mesmo sobre música

“Que sonzeira absurda”, essa é a primeira e maior anotação que encontrei na minha agenda, quando a abri no dia seguinte ao Festival que aconteceu no último sábado, dia 7 de Março, em Maringá. A noite juntou R-Evolusom, Dj Ed Groove, Mama Quilla, Ponto de Equilíbrio e Cidade Verde Sounds. E, olha só, deu para aproveitar tudo, cada um deles como merecia.

A Chácara Vitória, aquela imensidão, abrigou toda a estrutura que havia sido levada - e muito bem pensada - pela organização. Quero dizer sim meus parabéns pela estrutura, pela organização. Mas minha intenção não é fazer um texto sobre tendas, aparelhos e cercas, então vamos voltar ao que interessa: Que sonzeira absurda. E aqui estamos falando de um trabalho conjunto de produção, tecnologia, arte, talento, planejamento e vibe (é muito importante destacar a vibe).

O Festival foi um presente para os ouvidos maringaenses. R-Evolusom abriu o evento, para a alegria de muita gente que foi só esperando por eles. Aliás, maravilhosa característica de Maringá: As bandas locais foram, merecidamente, grandes destaques na noite e o motivo que levou muita gente a prestigiar o Festival. Excelente que o som que esteja sendo produzido por aqui seja de qualidade e valorizado como tal.

Pois bem, Mama Quilla fez um show lindo, com destaque para a vocal Gisele Silva, que flutuava no palco. Não sei se vocês conhecem, mas Mama Quilla é a Deusa Inca da Lua, toda ligada a feminilidade, a fertilidade e aos ciclos da vida. Respeito a todo o som dos caras, mas não tinha como a figura feminina não ser o destaque dessa banda (bem como a sintonia passada pelo show). A parceria com o Dj Ed Groove foi linda de se ouvir, uma mistura que deu um rebuliço nas emoções e nos movimentos de todo mundo que dançava. Não se sabia o que esperar da próxima música, mas se esperava e mal se podia esperar.

O intervalo até Ponto de Equilíbrio desanimou um pouquinho, mas a sensibilidade da banda deu jeito em tudo, chamou a atenção de todo mundo com um clássico Bob Marley e emendou com Hipócritas, para já mostrar a que veio. O show foi indescritível. Cada acorde, cada palavra, cada efeito parecia ser exatamente o ideal para aquele momento, envolvendo, sintonizando todo mundo. A vibe (aqui está ela novamente!) se manteve assim até o fechamento, com a outra banda local, Cidade Verde Sounds.

E aqui já nem há mais o que descrever do evento, como sempre, o som do Cidade Verde foi um evento em si. O ânimo voltou forte mesmo nos que chegaram mais cedo e a loucura aí já estava armada por todo o evento, é claro. Por sorte, toda essa entrega à música, não deixou os músicos esquecerem em tocarem em temas importantes, em falarem sobre nossas lutas e necessidades, todas em busca de uma sociedade melhor e mais livre. 

Como todo evento, esse também teve suas polêmicas: O transporte, a revista, o estacionamento. Mas, para isso, deixo a própria organização se posicionar, não é o meu foco. O foco se mantém na indiscutível veracidade da primeira frase que fiz questão de registrar: Que sonzeira absurda.