O ano só está começando na Netflix...

Que a Netflix, gigante empresa norte-americana de vídeos em streaming, está ditando a regra e reinventando o conceito de se assistir televisão não é nenhuma novidade. Há quem sequer arrisca zapear pelos canais tradicionais da TV aberta ou fechada porque não vê muita necessidade nisso. Até mesmo a prática ilegal de downloads na internet teve certo impacto, afinal, pra que se dar ao trabalho de procurar torrents e legendas de tal filme/série se no Netflix está tudo ao alcance de alguns cliques? Muito mais prático e confortável.

Outra vantagem é a impressionante rapidez de atualização dos lançamentos. Por exemplo, o thriller O Abutre estreou nos cinemas do Brasil em dezembro do ano passado e em menos de três meses depois já estava disponível no catálogo da empresa. 

Muitos elogios, eu sei, mas a iniciativa merece. No entanto, como prova de que a Netflix não está patrocinando esse post, enumeramos aqui algumas atrocidades originalmente produzidas pelo serviço. O maior exemplo talvez seja o fracasso do seriado épico Marco Polo, sobre as aventuras do explorador italiano, que teve investimento altíssimo na produção e não obteve retorno em audiência. Pudera, é muito chato. Outro caso é a série Um Drink no Inferno, inspirado no filme homônimo dos anos 90, que mistura de forma rocambolesca uma trama policial, vampiros e strip-tease. 

Por outro lado, é de se tirar o chapéu para outras produções. Tem as pratas da casa, como House of Cards, drama político e maduro que mostra os bastidores cheios de falcatruas em Washington, e a excelente Orange is the New Black, ambientada em um presídio feminino. Ambas as séries estão na terceira temporada e foram aceitas com entusiasmo pelos espectadores, tendo faturado prêmios no Emmy, SAG (Sindicato dos Atores) e no Globo de Ouro. 

Mas quem está arrebentando mesmo é a recém-lançada série em parceria com a Marvel, Demolidor, que retrata a vida de Michael Murdock, desde quando era criança e ficou cego devido a um acidente até assumir vida dupla já na fase adulta como advogado de dia e justiceiro à noite.  Após aquela adaptação vergonhosa para o cinema estrelado por Ben Affleck em 2003, a Marvel tomou vergonha na cara e decidiu dar nova roupagem para o super-herói, optando por um clima mais obscuro em vez de uma abordagem teenager para agradar o público jovem. 

O resultado ficou acima do esperado. Cenas vibrantes e antológicas já conquistaram público fiel, tanto que a Netflix já renovou contrato para a segunda temporada em 2016. Ainda rola muito preconceito de algumas pessoas por se tratar de uma “série de super-herói”, mas é fato, e não falo só por mim, que Demolidor é hoje uma das melhores opções para investir seu tempo. Pode confiar. 

Outras sugestões: Better Call Saul (spin-off da seminal Breaking Bad), Bloodline (drama familiar com elenco feroz) e Unbreakable Kimmy Schimidt (comédia bacaninha passatempo). 

E também não tem como não gostar da Netflix porque eles injetam dinheiro para ressuscitar determinadas séries que, seja por problemas de financiamento ou forças maiores do destino, foram canceladas pelas emissoras que a transmitiam. É o caso do genial sitcom Arrested Development, que a Fox interrompeu as exibições em 2006 e a Netflix adquiriu os direitos para delírio dos fãs e a resgatou no ano passado. A nova temporada terá 17 episódios e já está sendo desenvolvida.

E pra quem não se contentava só com Chaves na infância e ficava a tarde toda vendo a programação do SBT, a grande novidade desta semana é que Três é Demais também terá nova temporada pela Netflix. A empresa confirmou a encomenda de 13 novos episódios para o seriado. A nova temporada chega às telinhas em 2016. Nostalgia define.