Você não gosta de mim, mas seu pai gosta

Pedimos permissão ao Chico para usar o trecho de uma de suas canções para elencar nesse singelo post em homenagem ao Dia dos Pais algumas das figuras paternas mais firmezas e cativantes do cinema. Aqui vai.


#5 Atticus Finch, de “O Sol é para Todos” (1962)

Viúvo, o personagem interpretado por Gregory Peck é pai de duas crianças e trampa como advogado. Ele é indicado para defender um jovem negro acusado de ter estuprado uma branca no início dos anos 1930, pós-ressaca da repressão econômica que afundou os Estados Unidos. Se for contar no relógio, a maioria da história de “O Sol é para Todos” é preenchida com as crianças aprontando pelo bairro, e não há muitos momentos no filme em que o pai ensina ou dá lições diretamente. A coisa acontece na sugestão. Tendo o pai como exemplo e figura de respeito, seus filhos o observam e, a partir de seu comportamento, tiram conclusões do que é ter moral, integridade, boa conduta e de que todos devem ser tratados com igualdade. Um belo filme.

*O filme está disponível na Netflix.
 

#4 Ben Cash, de “Capitão Fantástico” (2016)

Com 6 filhos para ensinar a enfrentar esse mundão ingrato, Ben Cash é um cara radical, anti-sociedade de consumo que cria os filhos à base da caça, plantação de alimentos orgânicos, tocando violão na fogueira, ensinando literatura clássica e moderna, história e atualidades, física (inclusive quântica) e matemática de maneira completamente inflexível. É um pai que se distancia da tirania, porque aliado a toda essa rigidez, está a doçura, serenidade e tranquilidade. O desempenho de Viggo Mortensen neste papel lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. A propósito, quem quiser anotar, outros dois pais muito fodas interpretados por Mortensen recentemente nas telonas são os de “A Estrada” (2009) e a película argentina “Jauja” (2014), dois filmaços que valem muito a pena assistir.
 

#3 Billy, de “O Campeão” (1979)

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“O Campeão” foi recentemente considerado por cientistas como o filme mais triste já feito, a ponto de a cena final ter sido usada em experimentos para medir a capacidade emotiva, a saúde mental e a tendência à depressão de alguns pacientes. Enfim, é triste pra cacete, difícil alguém resistir e chegar ao final do filme sem derrubar uma lágrima. E por esse motivo que é muito “revoltante”, porque você é apresentado ao pai mais legal e amoroso do mundo – vivido pelo ator Jon Voight – para depois acontecer o que acontece naquele final maldito. É até inconsequente a forma que colocam aquela criança chorando, fala sério.
 

#2 Daniel Hillard, de “Uma Babá Quase Perfeita” (1993)

Um dos clássicos da Sessão da Tarde, em “Uma Babá Quase Perfeita” estamos diante de um pai que coleciona vacilos, mas para não ficar longe dos filhos, resolve se travestir e, desempregado, pleitear a vaga de babá para cuidar das crianças enquanto a ex-esposa trabalha. Ele consegue e o resto é história, nasce uma das comédias mais afetuosas envolvendo o núcleo familiar que temos no cinema. Quem comanda o filme é mesmo o finado Robin Williams (saudades desse cara...) e seu timing cômico inigualável como a senhora idosa que mija em pé e tenta proteger os filhos, mas com o cuidado de não soar tão invasiva.
 

#1 Pateta, de “Pateta: O Filme” (1995)

O Buda estava em dúvida se colocava este ou o pai do Nemo, que também é muito daora, cruzou o oceano pra encontrar a criança, isso é muito admirável... mas o Pateta é menos careta, adoravelmente idiota e tem que ter muito saco para aguentar o Max, que tá naquela fase adolescente chato pra caralho. Só para conquistar a mina que o garoto tem um crush, pai e filho atravessam o país de carro até Los Angeles para irem ao show da banda Powerline. É claro que no meio do caminho acontece muita merda, mas é lindo de ver o amor genuíno, o carinho e o senso de cuidado que pai transparece com o filho, no olhar e no gesto. Além de um dos personagens mais divertidos do elenco clássico da Disney, Pateta é um paizão da porra!