Popload ou como humilhar festivais com apenas 6 atrações

A intenção não é criar rivalidade entre os festivais de música, até porque né, quanto mais eventos desse porte e com programação diversificada, melhor pra gente. Mas vamo lá, pode assumir: o Popload, que rola nesta semana em São Paulo com line-up bem enxuto de apenas seis atrações, não fica devendo em nada para outros festivais que lotam a programação para tapar buraco. Isso é o que uma boa curadoria faz: pesquisa e rastreia o que de interessante está tocando no Brasil e mundo, articula agenda de artistas novos e consagrados, preza pela qualidade musical... há uma sintonia indiscutível nesse line, e é muito bacana notar que os programadores tiveram esse cuidado especial para montar a grade.

Pra quem não conhece qualquer um dos artistas listados abaixo, fica a recomendação do Buda.

PJ HARVEY

E começamos com a dona da porra toda. Filha simbólica da Patti Smith, a cantora britânica PJ Harvey musicaliza poesias com um estilo punk muito próprio e que ficou registrado em sua voz desde que ela surgiu na cena, no início dos anos 90. A partir daí, ela decidiu experimentar e enveredou por vários caminhos sonoros, com letras intimistas e melancólicas. E a cada álbum lançado, conseguiu se manter como uma das performers femininas mais legais do rock independente. Após 10 anos, PJ Harvey volta ao Brasil.

 

PHOENIX

A Phoenix é das bandas mais empolgantes hoje em atividade. Estouraram há uns 10 anos com o hitzão “Lisztomania” e viraram um fenômeno, tocou em todas as pistas e rádios do mundo, enjoou até. Mas eles são bons, fazem uma mistura gostosa nas canções, trazendo um mix daquela batida comercial europeia que fica na cabeça e uma sonoridade com DNA tipicamente latino. Neste ano, a Phoenix lançou o sétimo álbum da carreira, “Ti Amo”, e o Popload é uma das paradas da turnê mundial da banda.

 

DAUGHTER

Nome representativo do indie-folk, essa é a primeira vez que o trio britânico Daughter pisa em solo brasileiro. A voz frágil e ao mesmo tempo poderosa da líder, Elena Tonra, é das mais gostosas de ouvir, e a serenidade das canções com letras bem depressivas, muitas vezes atreladas a recursos eletrônicos, é uma das marcas registradas da banda. Pra quem gosta, lembra bastante Radiohead e Sigur Rós.

 

CARNE DOCE

De Goiânia, a Carne Doce está trilhando um merecido caminho rumo à lista A de artistas nacionais. É sempre muito gratificante quando uma banda foda e autoral é reconhecida, pois o que diferencia a Carne Doce das demais, além do talento, é a habilidade única de soar atual com uma mescla cadente de indie rock, MPB e psicodelismo.  No ano passado, lançaram o elogiado álbum “Princesa”. O disco é bem bom, mas o Carne Doce destrói mesmo nas apresentações ao vivo. Esse show é imperdível.

 

NEON INDIAN

Considerado pioneiro do subgênero musical chillwave, uma mistura bem singular de dream-pop retrô com sintetizadores, o Neon Indian é praticamente o show de um homem só, e esse homem é o mexicano Alan Palomo, que muitos afirmam ser um gênio do synth-pop. O grupo chegou estourado na cena musical eletrônica em 2009 com o premiado álbum “Psych Chasms”, já entrando na lista de melhores debuts da revista Rolling Stones. Desde então, lançaram dois discos. Essa é a primeira vez do Neon Indian no Brasil.

 

VENTRE

O Buda confessa que não conhecia a banda carioca Ventre, mas gostou do que ouviu. É intenso, as letras são bastante confessionais e parecem bem particulares dos membros da banda, é como se você fosse um amigo íntimo que a música divide um segredo. A melodia é envolvente e lembrou bastante Cícero e outra banda do Rio de Janeiro bem bacana chamada Baleia. Vamos acompanhar.